Como Eu Vejo a Maçonaria no Futuro

Meus Irmãos, é novamente um prazer e um privilégio estar com vocês no Brasil. Me foi sugerido que eu falasse com vocês sobre o tema “A Maçonaria do Século 21” ou “A Maçonaria do Futuro” ou “Como eu vejo a Maçonaria no Futuro”.

 

Sendo assim, já esclareço que não tenho bola de cristal nem poderes para ver no futuro, então, tudo o que posso realmente falar é “Como eu vejo a maçonaria no futuro”. Tenham em mente que quando falo que é simplesmente a minha opinião, é exatamente isso o que eu expresso.

 

Por outro lado, saibam que sou conhecido pelas minhas opiniões e vocês sempre serão livres para aceitá-las ou rejeitá-las. Contudo, tenho viajado por grande parte do mundo e estudado a Maçonaria por quase 30 anos, sendo talvez tão qualificado quanto qualquer outra pessoa para expressar essas opiniões.

 

Primeiro, devemos entender que a Maçonaria no futuro, como aconteceu no passado, dependerá da visão das lideranças e da área do mundo em que a Ordem pode continuar a existir.

 

Eu digo que pode continuar a existir porque seus números caíram consideravelmente em algumas áreas do mundo e nossa existência está sendo desafiada em outras áreas.

 

Não se esqueçam meus irmãos, que existem áreas do mundo nas quais a Maçonaria já existiu, mas hoje não existe mais, por exemplo, em alguns países do Oriente Médio.

 

Ao mesmo tempo, a Maçonaria está se expandindo rapidamente em outras partes do mundo, onde está sendo consagrada, e em países nos quais nunca existiu. Logicamente, portanto, a futura Maçonaria está nas mãos das lideranças que temos hoje.

 

Eu expliquei, em vários de meus trabalhos, que o estilo estrutural da Maçonaria tem sido relativamente universal e estável desde seu início como uma fraternidade especulativa, tendo em mente que levou um período de tempo para construir este estilo depois de sua origem.

 

Foi então que seus preceitos filosóficos foram desenvolvidos e sobre os quais prosperamos por três séculos. É a isso que me refiro como o estilo estrutural da Ordem.

 

Eu também expressei nesses artigos que o estilo operacional da Ordem é variável, sujeito ao ambiente em que ela existe. Até agora, delineei cinco estilos da Ordem, mas estou convencido de que existem outros e, conforme a Maçonaria amadurece em algumas partes do mundo, outros se desenvolverão.

 

Tenham em mente que aquilo a que me refiro como estilos e títulos são concepções minhas, sendo que alguns irmãos nem sempre irão concordar comigo.

 

O mundo em que vivemos hoje é drasticamente diferente do que era quando a Maçonaria foi criada e diferente de até um quarto de século atrás e será dramaticamente diferente no futuro.

 

Isso pelas necessidades e exigirá que nossa Ordem se adapte a essas mudanças. E como todos os estilos da Maçonaria estão sujeitos às pressões da sociologia do ambiente em que ela existe, o futuro da Maçonaria dependerá da capacidade de nossas lideranças de adaptar a Ordem a esses ambientes em constante evolução.

 

Quaisquer que sejam as adaptações feitas, não devem alterar a premissa estrutural sobre a qual a Ordem foi fundada e sobre a qual ela prosperou nos últimos três séculos.

 

Pois se isso acontecer, então não será mais Maçonaria.

 

Escrevi um artigo há cerca de 30 anos, intitulado “O que estamos tentando salvar?”

 

Naquele documento, fiz a observação de que a Maçonaria é um ideal e se mudarmos a Ordem para salvar o nome e esquecermos o ideal, perderemos o direito de nos referirmos a ela como Maçonaria.

 

No entanto, o mundo está em constante transformação e sempre tivemos uma liderança com a visão de lidar com as mudanças sem alterar a premissa estrutural.

 

Em grande parte do mundo hoje, a Maçonaria está sendo confrontada por desafios da sociedade para se adaptar ao que a sociedade entende que deveríamos ser.

 

Não devemos, no entanto, mudar de acordo com o que a sociedade quer, mas sim devemos manter as mesmas qualidades morais e éticas sobre as quais temos existido por três séculos e trabalhar para o que a sociedade precisa.

 

Devemos sempre elevar o próximo para nos encontrarmos no alto e não descermos para nos encontrarmos na parte de inferior.

 

Foram 31 novas e regulares Grandes Lojas consagradas desde a virada do século. Isso representa o que talvez seja a expansão mais rápida da Maçonaria em 200 anos.

 

Estas consagrações são indicativas e devem ser interpretadas como um sucesso para a Ordem. No entanto, de todas essas consagrações, apenas algumas ocorreram em países onde a Maçonaria não existiu no passado ou onde foi consagrada após o fim dos regimes políticos opressivos. Junto com o sucesso vieram desafios para manter esse sucesso.

 

A maioria dessas novas Potências foram criadas na Europa Oriental ou na África e em cada um desses ambientes há desafios que devem ser enfrentados pelas lideranças dessas Grandes Lojas.

 

Na Europa Oriental, vejo um dos maiores desafios como sendo uma desconfiança inerente a todas as organizações após o fim dos regimes opressivos.

 

Essa ameaça foi agravada pela interferência na autoridade das Grandes Lojas pelos ego dos líderes dos Supremos Conselhos.

 

Na África existe provavelmente a maior diversidade de culturas, línguas e religiões de qualquer ambiente em que a Maçonaria foi desenvolvida. Lá, a Ordem, deve lidar não apenas com interferências religiosas e talvez políticas, mas com algumas oposições tribais que enxergam a Maçonaria como uma forma de feitiçaria.

 

Assim, mesmo que a Maçonaria tenha começado a impressionar os países da Europa Oriental e os países da África, eles têm grandes desafios pela frente. No entanto, vejo o maior potencial futuro da Maçonaria nestes ambientes.

 

São em ambientes como estes, onde os desafios são maiores, que a existência da Maçonaria sempre foi a melhor.

 

Onde a Maçonaria existe há muitos anos, a necessidade de um desenvolvimento contínuo de suas sociedades civis não é tão necessária ou exigente e, consequentemente, as contribuições que podem ser feitas são menores do que aquelas encontradas nos países onde a Maçonaria acaba de aparecer.

 

A Ordem também tem desafios em países onde a Maçonaria existe há centenas de anos.

 

Vários anos atrás, o governo da Grã-Bretanha começou a exigir o registro dos membros do Governo que são Maçons, incluindo a polícia.

 

O Grande Oriente da Itália está agora sendo confrontado por exigências de que todos os Maçons devem registrar seus membros no governo.

 

Houve também vários protestantes cristãos proeminentes que expressaram oposição aos seus paroquianos pertencentes à fraternidade Maçônica, devido à nossa aceitação daqueles que não professam apenas a crença no cristianismo.

 

Por fazer parte da Maçonaria, recentemente, o Grão-Mestre de Honra da Grande Loja da Costa do Marfim teve negado o seu funeral católico na Catedral, apesar de ter sido um católico devoto durante toda a sua vida.

 

Meus irmãos, esses desafios inserem um fator que torna mais difícil projetar nossa Maçonaria no futuro. Mas então, enfrentamos desafios para nossa existência antes mesmo de nossa fundação formal como um Ordem especulativa em 1717.

 

Temos sido desafiados por decretos religiosos, por pontífices, governantes e regimes políticos por centenas de anos e ainda hoje sobrevivemos.

 

Nós sobrevivemos como resultado de sermos dirigidos por algumas das mentes mais brilhantes daqueles tempos e suas ideias e ideais foram apoiadas pelas lideranças visionárias que os seguiram.

 

Meus Irmãos, guardem bem esse Portão Oeste, pois os líderes de amanhã são aqueles que aceitamos em nossa irmandade hoje.

 

Há Potências lutando hoje porque suas lideranças perderam a visão de parte da premissa estrutural que afirma: “Nosso objetivo é pegar homens bons e torná-los melhores”.

 

Um grande amigo meu, ministro protestante, me perguntou há alguns anos por que escolhemos aceitar apenas homens bons e ignoramos aqueles que mais precisam de nossa ajuda?

 

Minha resposta a ele naquela época foi: “a porcelana fina não pode ser feita de argila ruim”. “É responsabilidade das religiões reformar os homens, não nossa”.

 

Meus Irmãos, não fomos criados para sermos uma fraternidade para reformar pessoas. Essa é a responsabilidade dos líderes religiosos.

 

A Maçonaria provavelmente se tornou a magnífica organização que é pelo resultado de três razões principais.

 

Número um: foi a primeira organização em uma sociedade estruturada em classes a aceitar homens de todos os estratos sociais e a sentá-los em uma Loja como iguais;

 

Número dois: a Maçonaria atraiu alguns dos maiores pensadores que já viveram nesse mundo;

 

Numero três: a Maçonaria permaneceu seletiva na qualidade dos homens que aceitaria em suas fileiras.

 

A Maçonaria sobreviveu e prosperou porque permaneceu uma força atrativa para alguns dos maiores homens em nossas sociedades e, embora seja uma de nossas principais premissas aceitar homens bons de todas as esferas da vida, é imperativo que continuemos a atrair homens profissionais com a capacidade potencial para liderar.

 

A Maçonaria norte-americana perdeu 75% de seus membros e, embora haja inúmeros fatores que contribuíram para essa perda, a disposição de reduzir nossos padrões de qualidade para aumentar o número de obreiros foi uma causa primária e resultou na perda de uma força atrativa para o homem profissional e mais qualificado para liderar.

 

Esta diminuição da qualidade foi contraproducente para a intenção de crescimento da Ordem e contribuiu sobremaneira para a perda de obreiros.

 

Também me foi solicitado que acrescentasse brevemente minha visão da Maçonaria Brasileira para o futuro.

 

Eu não preciso explicar para vocês a confusão que é a Maçonaria Brasileira para resto do mundo, com seu arranjo complexo de várias potências maçônicas.

 

Eu tenho tentado entender e racionalizá-lo por várias décadas. É no mínimo confusa ao extremo a injustificável falha em não se reconhecerem mutuamente e ao mesmo tempo manterem um relacionamento fraternal.

 

Embora ainda existam obstáculos para serem superados, acredito firmemente que o tratado de compartilhamento de território contribuirá para uma maior estabilidade da Maçonaria no Brasil e proporcionará a oportunidade de todos trabalharem juntos, um potencial muito maior para contribuir não apenas com o futuro da Maçonaria Brasileira, mas em benefício da sociedade brasileira em geral.

 

Vai levar tempo, compreensão e cooperação, mas minha visão da Maçonaria no Brasil é para um amanhã melhor.

 

Meus Irmãos, a Maçonaria do século 21, dependerá da visão e da capacidade das lideranças de hoje e de amanhã.

 

Nossos Irmãos do passado nos deixaram um grande legado. Se quisermos continuar a ser um componente viável com capacidade de contribuir para a evolução da sociedade civil, será necessário um compromisso inalterado com essa premissa estrutural de aceitar apenas homens bons.

 

Eu vejo a Maçonaria no futuro lutando muito mais do que no passado como resultado de desafios internos, e não externos. Nossos desafios no passado eram principalmente de lideranças políticas e religiosas opressivas ou repressivas.

 

Hoje nossos maiores desafios existem nos egos e falta de competência de nossas lideranças. A Maçonaria continuará a ser uma grande influência em grande parte do mundo. No entanto, a menos que encontremos uma liderança com a capacidade de lidar com a evolução contínua da sociedade civil, ela terá dificuldades no por vir.

 

Nosso futuro está em nossas mãos. Nunca se esqueçam meus irmãos, a Maçonaria não falha. Os Maçons falham.

 

 

RWB Thomas W. Jackson
Past Grande Secretário da Grande Loja da Pennsylvania
Past Secretário-Executivo e Presidente Ad Vitam da Conferência Mundial de Grandes Lojas Regulares